Seminário nacional reúne importantes nomes da área, apresentação de experiências exitosas e encaminhamentos para o modelo educacional no País

Um grande encontro de profissionais e ativistas que discutem e pensam a educação, apresentação de práticas exitosas de educação integral no Brasil e encaminhamentos para o modelo educacional brasileiro. Tudo isso vai acontecer em Diadema, nesta sexta-feira (25) e sábado (26), durante o Seminário Nacional de Educação Integral, cuja abertura será no Teatro Clara Nunes, dia 25, e as mesas no Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, sede Diadema, na tarde de sexta e no sábado.

“Em todas as redes que visam garantir o direito das crianças a uma educação integral de qualidade, porque não basta aumentar o tempo de permanência na escola sem um projeto pedagógico, há o entendimento de que Diadema realiza hoje o modelo a ser seguido e isso nos enche de orgulho”, afirmou a secretária de Educação do município, Ana Lucia Sanches.

Pesquisadora e professora titular da Faculdade de Educação da Universidade Federal do Rio Grande do Sul, integrante Observatório Nacional de Educação Integral e uma das idealizadoras do programa Mais Educação, lançado pelo governo federal em 2010, Jaqueline Moll afirmou que o evento vai abordar as experiências históricas e contemporâneas em educação integral, que são experiências e anseios que compõe a agenda nunca concretizada no Brasil e uma escola pública de qualidade para todos os estudantes.

“Uma educação universal, republicana, laica, inclusiva, integrada à sua comunidade, de qualidade curricular. Então, na verdade, a importância (do evento) é que retoma um tema que precisa, se o País quiser superar essa baixa densidade democrática, se o País quiser avançar pra uma democracia efetiva, não só formal, é preciso que avance na agenda da educação integral, que é a agenda da escola de dia letivo completo e de currículo integral”, pontuou.

Jaqueline destacou que a ampliação da jornada é uma condição para educação integral, mas não é a própria educação integral. “Até porque se pode ampliar o tempo, ou espichar a corda do tempo como dizem alguns autores, e continuar fazendo as mesmas práticas arcaicas e excludentes que são históricas na escola”, explicou. “Falar da educação integral é dialogar com a nossa Constituição quando ela garante para as pessoas o seu pleno desenvolvimento, como um dos objetivos da educação nacional. Então falar de educação integral implica falar dessa amplitude curricular, dessa amplitude de horizontes formativos”, completou.

Diretora da Cidade Escola Aprendiz, Natacha Costa apontou que em um contexto em que as políticas educacionais sofreram muito desmontes e os impactos da pandemia na vida das comunidades escolares foram muito importantes, é de vital importância um evento que aborde os conceitos de educação integral. “É fundamental que a gente lute por uma agenda de educação que olhe pra todas essas questões, que reestruture as políticas educacionais para garantir condições de trabalho nas escolas, currículos que atendam às necessidades dos estudantes e também a ampliação da jornada especialmente para crianças e adolescentes com foco no atendimento aos mais vulneráveis.”, citou.

Natacha também frisou que educação integral é mais que ampliação da jornada. “Diz respeito à uma concepção de educação que vai olhar para o desenvolvimento integral de crianças, adolescentes e jovens, que vai, portanto, garantir que, para além das atividades escolares, essas crianças, adolescentes e jovens tenham acesso a outras oportunidades educativas, que envolvam cultura, esporte, artes, jogos, a investigação dos territórios, conhecer a cidade, a possibilidade de participação para o desenvolvimento de uma atitude e de uma formação cidadã”, pontuou.

Doutor em educação e professor da Unifesp (Universidade Federal de São Paulo), Sergio Stoco destacou a parceria que a universidade tem mantido com a Prefeitura de Diadema nas áreas de Educação, Saúde e Meio Ambiente, inclusive participando na organização do Seminário, como um encontro de valores e objetivos, que se refletem também na busca por uma educação integral de qualidade.

“O tema da educação integral tem destaque importantíssimo para os rumos da política educacional. Existem no País todo muitas experiências, desde 1930 é um tema fundamental da educação brasileira, uma educação escolar que respeite o pleno desenvolvimento de todos, especialmente crianças e jovens. Reorganização desses modelos estão em debate e é nesse contexto que esse evento ocorre”, pontuou.

Stoco destacou também o desmonte que a educação pública sofreu nos últimos anos e nesse processo de reconstrução é preciso pensar qual modelo queremos para a educação brasileira. “Não só ampliar horários, mas respeitar a interlocução com outros espaços, saúde, assistência social, meio ambiente. Esse evento tem de tudo para ser fundamental e a expectativa é enorme”, concluiu.

Doutor em educação e professor titular da Unicamp (Universidade Estadual de Campinas), Cesar Nunes apontou que desde 1988 existe uma disputa na área educacional de dois projetos, um deles focado em avaliações, buscando um desenvolvimento econômico pautado na educação que treina jovens para o mercado de trabalho, em uma lógica capitalista. Do outro lado, um modelo que tem como lema a pedagogia do direito de estar na escola, direito a aprendizagem, inclusão, humanização, centrada em novas coordenadas pedagógicas, nova concepção de escola, educação e currículo.

“Neste contexto, a educação integral é um dos pilares desse segundo modelo. Não podemos confundir escola integral com ampliação de jornada. Significa mais do mesmo e continuar com o que é ruim e atrasado. É preciso um olhar para a pedagogia do direito a estar na escola, da inclusão e sustentabilidade. Direitos de aprendizagem, justiça curricular, protagonismo do professor, respeito à cultura das pessoas, uma escola sonhada como um movimento vinculado à vida, à comunidade”, pontuou. “Agora, na reconstrução do estado de direito pleno, novamente nos deparamos com essa encruzilhada”, concluiu.

Diretor do Libertad – Centro de Pesquisa, Formação e Assessoria Pedagógica, Celso Vasconcellos, afirmou que para além de toda a discussão sobre a importância de uma educação integral de qualidade e efetiva, o seminário é também um encontro muito importante fortalecimento das pessoas que defendem a educação, em um contexto “de tanto sofrimento, desgaste e desmonte da educação”. “A gente pode ser encontrar, partilhar e se animar com essa concepção da educação integral, humanizadora, democrática, libertadora”, relatou.

“Antes de mais nada, um clima de festa, celebração, porque resistimos. Estamos firmes na luta e ao mesmo tempo, fortalecer pensando nas políticas públicas que virão e sabendo que é um ponto de muita disputa. A gente vê pela própria composição da equipe de transição (do presidente eleito Luis Inácio Lula da Silva), diferentes segmentos, ideologias, um momento especial de muita luta e esperança”, finalizou. Ao final de encontro, será formulado um manifesto do seminário, com propostas para a implementação de programas de educação integral.

SERVIÇO

Dia 25 de novembro

Teatro Clara Nunes

9h30 às 11h30

Abertura

Sindicato dos Metalúrgicos do ABC Regional Diadema

Dia 25 de novembro

Das 13h às 19h

Dia 26 de novembro

8h30 às 17h30

Endereços dos locais do seminário:

Teatro Clara Nunes

Rua Graciosa, 300

Centro, Diadema – SP.

Sindicato dos Metalúrgicos do ABC Regional Diadema

Avenida Encarnação, 290

Piraporinha, Diadema – SP

Texto: Aline Melo
Foto: Igor Andrade