Ex-ministra da extinta Secretaria de Políticas de Promoção da Igualdade Racial (SEPPIR) participou do 1º Seminário Afro Sawabona e Shikoba

Em uma festa de emoção, música e apresentações de talentos do programa Adolescente Aprendiz de Diadema, a ex-ministra da extinta Secretaria de Políticas de Promoção da Igualdade Racial (SEPPIR), atual Secretaria Nacional de Políticas de Promoção da Igualdade Racial (SNPIR), Matilde Ribeiro, fez um resgate histórico do movimento negro no Brasil. “Abdias do Nascimento já disse que desde que o primeiro negro e a primeira negra, seres humanos africanos, chegaram ao Brasil e foram escravizados, desde lá existe luta por liberdade, justiça e humanidade. Então podemos dizer que o movimento negro foi o primeiro movimento social organizado do país”, destacou Matilde, durante sua participação no 1º Seminário Afro Sawabona e Shikoba, nesta quarta-feira (23).

O evento, organizado pelo Núcleo de Educação para as Relações Étnico-Raciais (Nerer) da Secretaria de Educação de Diadema, apresentou as práticas que têm sido realizadas por meio do programa Diadema de Dandara e Piatã, em cumprimento às Leis 10.639/2003 e 11.645/2008, que versam sobre a obrigatoriedade do ensino de história e cultura africana e indígena nas escolas de educação básica. O programa completou um ano de implementação em novembro, mas da educação infantil à Educação de Jovens e Adultos (EJA), o ensino étnico-racial está presente nas salas de aulas da cidade. A atividade faz parte da programação da 21ª Kizomba – Festa da Raça e contou com apoio da Coordenadoria de Políticas de Promoção da Igualdade Racial de Diadema (Creppir).

Matilde destacou que, há mais de 30 anos, coordenadorias (como o Creppir), assessorias e outros modelos administrativos tentam que a administração pública seja permeada pelo ensino, conhecimento e atuação antirracista. “Depende muito do empenho do prefeito, do vice-prefeito, e aqui em Diadema a gente tem as pessoas fazendo esse trabalho, aprendendo a fazer, porque não existe modelo pronto”, elogiou.

A ex-ministra, que faz parte da equipe de transição do presidente eleito Luiz Inácio Lula da Silva, citou que a lei de cotas para o ensino superior, aprovada em 2012, continua sendo atacada por setores conservadores da sociedade. “As cotas são consideradas como um atalho, porque historicamente a população negra esteve fora dos bancos escolares. As cotas são um atalho para que hoje os negros, os indígenas, os trans, os deficientes possam estudar. Não queremos para a vida toda, queremos para a vida toda educação pública gratuita de qualidade para todos. As costas são necessárias para mudar a fotografia”, pontuou.

A secretária de Educação de Diadema, Ana Lucia Sanches, destacou o esforço de toda a rede com relação à educação étnico racial. “É isso que nós estamos fazendo aqui hoje, relembrando quem somos nós, de onde nós viemos, quem é o nosso povo, quem é nosso sangue, que a gente precisa honrar e beijar a mão e pedir a benção para os griôs”, afirmou. Na tradição africana, griôs são os sábios contadores de história.

Uma das coordenadoras do Nerer e coordenadora do programa Diadema de Dandara e Piatã, Vivian Viegas lembrou a importância de que as pessoas negras contem as suas próprias histórias. “Ver as crianças se reconhecendo durante as aulas tem sido muito emocionante”, citou. Também coordenadora do Nerer e diretora do Departamento de Educação Popular, Evelyn Cristina Daniel afirmou que o evento e toda a política que vem sendo desenvolvida na cidade lembra aos jovens negros e periféricos que eles podem ser quem quiserem ser. “Esse grupo, tudo o que fazemos aqui, está olhando para isso”, concluiu.

Além das pessoas citadas, compuseram a mesa do evento a coordenadora de Políticas de Promoção da Igualdade Racial de Diadema, Marcia Damaceno, a vice-prefeita, Patty Ferreira, a vereadora Lilian Cabrera e o vice-presidente do Conselho Municipal de Políticas de Promoção da Igualdade Racial e integrante do Movimento Negro Unificado (MNU), Wilson Roberto Levy. Os estudantes e educadores do programa Adolescente Aprendiz e integrantes do movimento negro da cidade também estiveram presentes. A Rede Cultural Beija-Flor, instituição parceira do programa Adolescente Aprendiz e com forte atuação em educação étnico racial, apresentou um espetáculo de dança.

Texto: Aline Melo
Fotos: Igor Andrade