Prefeitura de Diadema

5 de novembro de 2008

 Mauro Pedroso/PMD
 

Novembro é considerado o mês da Consciência Negra. Em geral, a data é marcada por manifestações e reflexões que tentam trabalhar com a sociedade o respeito às diferenças, o combate ao racismo e a discriminação.

Diadema, por ser a quarta cidade do país em número de população negra, sempre teve a preocupação em desenvolver projetos que destacassem a cultura, a participação, a herança e os valores africanos.

Um exemplo disso é o projeto “Heranças: Valores Civilizatórios Afro-Brasileiros” realizado na E.M Mário Quintana. A importância do trabalho foi reconhecida recentemente no CEERT (Centro de Estudos das Relações de Trabalho e Desigualdades) quando o projeto ganhou o primeiro lugar da 4ª edição do Prêmio “Educar para a Igualdade Racial”.

O prêmio, idealizado em 2001, busca valorizar experiências de promoção da igualdade racial no ambiente escolar, mapear, analisar e divulgar as práticas educacionais que abordam a cultura afro-brasileira, sensibilizar e incentivar professores para a inclusão da temática étnica nos projetos pedagógicos, além de auxiliar e impulsionar a implementação da Lei 10. 693/2003 que regulamenta as diretrizes curriculares da Educação das Relações Étnico-Raciais em todo país. 

“Heranças: Valores Civilizatórios Afro-Brasilieros” foi implementado pelas professoras Raquel Rodrigues do Prado e Anne Carvalheiro de Souto em 2007 na escola municipal Mário Quintana e tem como objetivo abordar a questão da diversidade racial, valorizando e respeitando as diferenças, mostrar a contribuição dos negros no patrimônio cultural, resgatar a história da África, reconhecer o racismo e opor-se a ele, discutir valores e padrões impostos. 

Pesquisei as heranças africanas, os valores e descobri que a oralidade, a circularidade, a cooperação, a alegrias total (axé), a musicalidade eram todas heranças africanas. Muitas vezes trabalhamos com as crianças esse temas, mas não nos damos conta que é de origem africana”, relata a professora.

Por meio de contos africanos, exibição de filmes, dramatização das leituras e dos vídeos, rodas de conversa, contação e construção de histórias afro-brasileiras, colagens, montagem de painéis e telas, brincadeiras com o corpo, jogos e músicas foram trabalhados com as crianças, pais, professores e funcionários da unidade escolar conceitos étnico e raciais.

“Decidi montar um projeto racial, porque percebi as dificuldades das pessoas em trabalhar esse tema com as crianças, mas também percebi a dificuldade nos adultos. Por isso, desde o inicio meu objetivo era envolver não apenas as crianças, mas também os pais e a equipe escolar”, explica Raquel.

Como resultado foi possível perceber docentes mais atentos na seleção de conteúdos, leituras e imagens a serem apresentados aos alunos. Crianças mais seguras e orgulhosas dos seus pertencimentos étnico-raciais. E pais participantes e envolvidos com as atividades pedagógicas desenvolvidas.

 Mauro Pedroso/PMD
 

Os professores premiados (dois de educação infantil e dois de ensino) receberam R$ 5.000, um kit de livros sobre o tema da diversidade humana e pluralidade cultural e ainda participarão de um curso sobre a temática racial desenvolvido pelo CEERT.  A docente responsável pelo projeto ganhador de Diadema, Raquel, se diz emocionada com a vitória. “Foi emocionante. O prêmio foi uma realização profissional e pessoal. Também foi uma forma de demonstrar para os outros profissionais como trabalhar a temática racial de maneira mais profunda”.

Políticas afirmativas – Em Diadema, a temática racial começou a ser introduzida no ambiente escolar a partir de 2001, com o objetivo de combater o racismo e a discriminação. Foram realizadas oficinas de sensibilização junto aos professores, alunos e coordenadores de escola pela Educação e a antiga Assessoria de Combate ao Racismo.

“Os fundamentos filosóficos da Proposta Curricular de Diadema estão pautados na convicção de que é necessário o resgate de processos mais humanitários para ensinar e aprender a partir dos conhecimentos diversos que cada sujeito traz. Assim nota-se o papel fundamental do professor e da Educação na luta contra as desigualdades de raça /etnia e de gênero”, complementa Márcia Santos, Secretaria de Educação.  

Assim a atual proposta curricular, por meio dos seus sete eixos, entre eles, ‘Dignidade e Humanismo’, contempla a lei federal 10.639, de 9 janeiro de 2003, que instituiu a obrigatoriedade da temática história e cultura afro-brasileira, história da África e dos africanos, entre outros assuntos relacionados.

E para Raquel, o projeto só obteve êxito graças à colaboração e empenho da Secretaria de Educação e da comunidade. “A Secretaria de Educação, a escola, os professores e toda a equipe e parceiros envolvidos também foram fundamentais no projeto. Porque a final, ninguém faz nada sozinho”, complementa. 

A política racial da cidade não está apenas nas escolas. Em 2006, Diadema criou o Centro de Referência e Promoção de Políticas para a Igualdade Racial (CREPPIR), fruto do diálogo da Prefeitura com os movimentos negros da cidade. Ligado à Secretaria de Assistência Social e Cidadania, o Creppir visa aprimorar, articular e integrar as políticas raciais nas diversas secretarias municipais e se estrutura para desenvolver ações e atividades com a comunidade negra do município, tendo como metas qualificação profissional, inserção no mercado de trabalho, valorização da cultura, entre outros.

Claudia Mayara 

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