Prefeitura de Diadema

26 de novembro de 2008

Gabriela Nunes/PMD

                                                                                               Claudia Mayara

Elas não são atrizes profissionais, mas já vivenciaram o preconceito, a violência nas suas diversas formas. Foram maridos, namorados, homens que feriram fisicamente ou psicologicamente essas mulheres.

Para dar a volta por cima, foi necessário ajuda profissional, garra, determinação e muito ensaio. O Grupo Agni de Teatro, da Casa Beth Lobo de Diadema, é hoje um símbolo da luta contra a violência doméstica que atinge as mulheres.

“O que eu acho do preconceito? Eu acho que o preconceito está em todos nós… Bem vindo ao planeta Terra”, trecho da peça ‘Acorda Alice’, segundo trabalho desenvolvido pelo grupo teatral sob a direção e roteiro de Josy Souza.

O grupo desenvolve temas específicos que levam ao público, informação, reflexão, poesia e dados que servem de alerta e de incentivo para mulheres que estejam passando pela situação de violência.  “Depois dos espetáculos abrimos para perguntas, debates. O teatro é uma forma de difundir e por em pauta o tema, fazer as pessoas refletirem”, explica Josy. 

O grupo já se apresentou no Memorial da América Latina, na Secretaria Municipal de Obras, na Faculdade de Diadema (FAD), em empresas, escolas, centros culturais, Centros de Assistência Social e até capacitaram professores de São Bernardo. Neste sábado (29), às 16h, realizarão um espetáculo no anfiteatro do bairro de Paraisópolis (SP). “A Secretaria de Obras foi a nossa melhor experiência, pois o público predominante eram homens. A apresentação foi um termômetro, um ótimo feedback”, comenta a diretora.

Uma das integrantes do grupo, Maria do Socorro, 57 anos, já estava entrando em depressão quando decidiu acabar com o casamento de mais de 30 anos. “Descobri que o meu marido me traía há mais de cinco anos. No início, achei que era algo passageiro, que ele ia mudar, me pedir desculpas pelo que fez e pelo que me dizia. Mas com o tempo percebi que isso não ia acontecer. Eu me sentia cada vez mais agredida com as humilhações”, diz.

Para ajudar a superar todos os problemas, a dona de casa participou de cursos, terapias, artesanato, teatro e outras atividades oferecidas na Casa Beth Lobo. Hoje, separada legalmente, Maria do Socorro não se arrepende da decisão. “Sou uma pessoa livre. Devia ter tomado essa decisão há muito mais tempo. Teria evitado muito sofrimento”, explica. O futuro ainda guarda muitas surpresas, mas de uma coisa ela tem certeza. “Vou continuar a incentivar outras mulheres, vítimas de violência, a tomar uma decisão e dar a volta por cima, assim como eu fiz”, promete.

Mauro Pedroso/PMD

Casa Beth Lobo realiza oficinas de artesanato e cursos para mulheres vítimas de violência

Atendimento humanizadoEm um ano, a Casa Beth Lobo, vinculada à Secretaria de Assistência Social e Cidadania (SASC) de Diadema, chega a fazer mais de cinco mil atendimentos de mulheres vítimas de violência. “São cerca de 30 novos casos por mês. Infelizmente, a violência doméstica é muito comum, ela acontece em todas as classes sociais, raças, religiões e idades”, explica Marisa Eugênia Souza, coordenadora da instituição.

A violência contra a mulher pode ser caracterizada por qualquer ação que cause dano, morte, constrangimento, sofrimento físico, sexual, moral, psicológico, social, político, econômico ou perda patrimonial, tanto no espaço público ou privado.

 

“A maior dificuldade é a falta de informação. Ainda existem muitas mulheres que não sabem seus direitos. Não sabem quando procurar ou têm medo, vergonha de procurar um serviço especializado e isso dificulta ainda mais uma situação que já é difícil”, explica Marisa.

Trabalho reconhecido

 

Levar a informação. É justamente essa a principal característica do Grupo de Teatro Agni. E foi através deste e de outros trabalhos realizados na Casa Beth Lobo, que a instituição foi um dos 20 projetos vencedores do Prêmio Objetivos de Desenvolvimento do Milênio (ODM) Brasil 2007.  O prêmio é uma iniciativa do governo federal e do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD) e destacou práticas de prefeituras e organizações sociais que ajudam o país a avançar nos ODM.

A Casa Beth Lobo existe no município há 17 anos e recebe mulheres em situação de violência doméstica, por meio de atendimento social, psicológico, encaminhamento jurídico, aulas de ioga, teatro, oficinas de artesanato, atividades sócio-educativas, de prevenção da violência e promoção de ações para a geração de renda. Essas práticas correspondem aos objetivos 3 ‘Promover a Igualdade entre os Sexos e Autonomia das Mulheres’ e 1 ‘Erradicar a Extrema Pobreza e a Fome’ dos ODM.

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