Prefeitura de Diadema

28 de novembro de 2008

Fotos: Gabriela Nunes/PMD
Cadeirantes participam de aula de basquete sobre rodas
                                                      Por Camila Ribeiro

São 9 meses de expectativa. Pais e familiares ficam apreensivos aguardando se o bebê que virá será menino ou menina. Chás de bebê, enxovais, paparicos para a mãe e a criança que ainda não veio ao mundo. Mas quando chega a hora do parto, o desespero: o filho possui algum tipo de deficiência. A partir daí, inicia-se uma batalha contra os preconceitos internos e externos (vindos da sociedade).

 

“Muitas vezes as pessoas ficam olhando para ela, mas quando o olhar é de coitadinha ela passa por cima. Faz eu chamar a pessoa explicar que ela não é coitadinha coisa nenhuma!” disse Ubiratan Delmonte, 57, pai de Samara Andressa Delmonte, 19, que possui paralisia cerebral.

Contrariando o que muitas pessoas imaginam, a doença não fez de Samara uma vítima.No próximo ano, ela já tem uma cadeira garantida no curso de jornalismo de uma grande universidade de São Paulo. “Ela sempre gostou muito de ler, fazer redações, mandar recados para os amigos. A redação que ela fez no vestibular foi muito elogiada e a ajudou a obter o resultado alcançado” afirmou Ubiratan.

 

Por meio do projeto ‘Diadema sem Barreiras’, ela frequenta todas as semanas aulas de educação física, recreação, lazer e esportes adaptados oferecidos para os mais de 200 alunos do município com diversos tipos de deficiência.

 

Dedicação

 

 

Sueli se dedica ao filho David e incentiva as atividades

História semelhante vive a dona de casa Sueli Fernandes Pinto, 57, mãe de três filhos. Aos 2 anos e meio de idade, David Ricardo Fernandes Pinto, 24 ,o caçula dos três meninos, despertou na mãe a desconfiança de que algo estava errado.

 

Ele não gostava de brinquedos, e só se interessava por livros e revistas. Acabou se alfabetizando sozinho, mesmo antes de entrar na escola. Foram inúmeros psicólogos e pediatras até que aos 9 anos de idade veio o diagnóstico: síndrome de asperger, que dentre os sintomas apresenta dificuldade de interação social do indivíduo, interpretação muito literal da linguagem e dificuldade com mudanças.

 

Segundo a mãe de David, os benefícios trazidos pelo projeto ‘Diadema sem barreiras’ são incalculáveis. “Acho que é uma atividade muito importante, pois estou vendo muitos resultados. Coisas que ele não fez nas infância, como pular corda por exemplo, ele está fazendo aqui. Para ele é uma alegria só”, afirma Sueli.

 

Este também é o caso da estudante da oitava série Paula Sampaio, de 16 anos. Após sete cirurgias para a correção de problemas nos joelhos e na coluna vertebral decorrentes da paralisia cerebral, ela se considera hoje uma vitoriosa. Tanto que durante as aulas, é uma das alunas mais empolgadas .

 

“Gosto muito de jogar bola e pular corda nas aulas! Já fiz muitos amigos aqui” afirma Paula. “Depois de tanto sofrimento [das cirurgias sofridas] agora é só alegria!” complementa Sônia Regina Sampaio, mãe da estudante.

 

Um sonho que virou realidade

 

No segundo ano da faculdade, a então estudante de educação física Chrystianne assistiu a uma apresentação de basquete feita por um grupo cadeirantes. A partir daí, não tinha dúvidas: iria trabalhar e se dedicar aos deficientes.

 

“É um trabalho fantástico. Comecei a pesquisar sobre o assunto e a trabalhar voluntariamente durante 2 anos com isso. Não há valor no mundo que possa pagar a satisfação que eu sinto de trabalhar com eles ” afirma Chrystianne Simões Frug, 43, professora de educação física e esportes adaptados desde 1986.

 

O relacionamento com os alunos, como no caso de Samara, que já se conhecem há mais de 10 anos, pode ser comparado a de uma grande família. “A ligação que eu tenho com eles é muito forte. Eles não são a minha família, mas sim a família que eu escolhi ter”.

 

Diadema sem Barreiras

 

O programa tem o objetivo de estimular a formação de hábitos de auto-suficiência em relação à saúde e segurança; desenvolver atividades que propiciem a educação motora e a realização pessoal; execução de tarefas das mais simples até as mais complexas por meio da educação física escolar, recreação, lazer e esporte adaptado.

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