Prefeitura de Diadema

26 de novembro de 2008

Fotos: Mauro Pedroso/PMD

Coral do Hospital Municipal se apresenta para os pacientes

             Por Iara Luz

O grupo entra no quarto com violão em punho e aos primeiros acordes do instrumento, a música toma conta do ambiente e das três senhorinhas que estão repousadas sobre as camas. Otília Pereira da Silva, de 80 anos, uma das pacientes, abre um sorriso generoso e por trás dos óculos redondos seus olhinhos brilham de contentamento.

 

Ela começa a cantar junto com o Coral do Hospital Municipal de Diadema (HM) que toda quarta-feira realiza ensaio e leva sua música para pacientes e funcionários da unidade de saúde.

 


Quando a canção “Maracangalha” de Dorival Caymmi começa ser entoada, Otacília se anima e já sentada na cama balança a cabeça de um lado para outro acompanhando o ritmo. “Que bom ouvir música! Esta me lembra do meu tempo de baile”, afirma a baiana de Rio de Contas que há 15 dias está internada no HM em razão de diabetes.

Ao lado da simpática Otacília está outra baiana, Maria Galdino, 69 anos, internada por causa de um derrame. Com problema na fala causada pela doença, ela levanta o dedo polegar para cima aprovando a cantoria. A outra companheira de quarto, a cearense Raimunda Lucineide de Carvalho, 52 anos, presta atenção no Coral que agora entoa uma música evangélica com mensagem que fala de esperança. “Tive um dia diferente hoje no hospital”, afirma, a emocionada Raimunda que convalesce de uma cirurgia de hérnia.

Ela conta que mora em Diadema há mais de 30 anos e que não sabia da existência do coral formado por funcionárias do Hospital Municipal. “Gosto muito de ouvir música e a que foi apresentada aqui, além da boa qualidade, nos ajuda a sarar mais depressa”, conclui.  Se o trabalho apresentado pelo coral do HM ajuda quebrar rotinas de remédios e visitas médicas aos pacientes, ele também é importante para as trabalhadoras do hospital que participam do conjunto musical.

Grupo, criado há 14 anos, se apresenta todas as quartas-feiras

Segundo a agente administrativa Aparecida de Fátima Ferreira que integra o grupo há dois anos sua vida mudou quando começou a cantar. “O coral para mim é como se fosse uma família. Por meio da música ajudamos pessoas e também recebemos ajuda”.

Quem também compartilha dessa idéia é a enfermeira Márcia Torigoshi que canta no coral há mais de 10 anos. “Quando vamos até as enfermarias a receptividade é muito grande. Tem pacientes que cantam, outros dançam e no final descobrirmos que a música faz bem para todos”, completa.

O Coral do HM surgiu há 14 anos e a idéia inicial era deixar o ambiente de trabalho desestressante e também estreitar os laços entre companheiros de trabalho. Segundo a diretoria de enfermagem do HM, Silvia Rodrigues Cervantes Luz, que coordena o grupo musical desde o começo, as apresentações foram se estendendo e chegou até as enfermarias. “Percebemos que também era importante cantar para os pacientes. Hoje a atividade do coral é uma das formas do trabalho de humanização no atendimento à saúde que realizamos dentro do hospital”, acrescenta.

Fora das cercanias do Hospital Municipal, o coral já se apresentou no Lar do Ancião, instituição que atende idosos na cidade, e em eventos públicos. Também foi o ponto alto da inauguração do Quarteirão da Saúde, em maio passado, que teve a presença do Presidente da República. Para as festividades de final de ano o Coral do HM se prepara para apresentações em entidades e por dois dias, em data a ser definida, cantará em todos os andares do Hospital Municipal.

Humanização nas ações

 

Segundo a médica e diretora geral do HM, Tatiana Smalkoff, além do coral, a humanização no atendimento acontece em outros setores do hospital. “Esse procedimento começa desde o horário de visita que foi ampliado e agora é das 14h às 21h, passando pelo atendimento das alas infantil e adulta, onde os acompanhantes recebem todos os esclarecimentos e orientações necessárias sobre os internados e ainda como funciona o hospital”, ressalta.

 

A diretora explica que outro meio utilizado para humanizar as ações dentro da unidade hospitalar é a gestão participativa. “Pelo menos uma vez no mês fazemos reuniões com equipes multidisciplinares para avaliar e discutir novos procedimentos que busquem garantir essa harmonização nas relações e no atendimento, diz .     

 

Fundado em 1992, o Hospital Municipal de Diadema atende em um prédio de dez andares onde trabalham 1.200 funcionários. Com 276 leitos, sendo 26 na UTI neo-natal, mensalmente a unidade realiza mais de 81 mil procedimentos médicos, 822 internações, 16 mil atendimentos de urgência e 189 nascimentos.

Ir para o conteúdo