Prefeitura de Diadema

19 de novembro de 2008

Fotos: Arquivo/PMD

Por Camila Ribeiro

Uma mulher com 1,50 de altura, cabelos pretos e cuidadosamente alisados, fala mansa e com uma vaidade peculiar à maioria das mulheres.

Ao se olhar para Maria Mônica da Silva, muitas pessoas não imaginam que por trás desta aparência se esconde uma catadora de materiais recicláveis. “Não é porque eu sou catadora que vou andar mal vestida”, exclama.

Profissional da área há mais 10 anos, a superação de barreiras e a quebra de paradigmas já fazem parte da sua trajetória. “Ao falar para as pessoas que eu trabalhava como catadora, muitos reagiam com preconceito, até mesmo os meus familiares”. Para complementar a renda de 300 reais que o marido ganhava todos os meses, Maria Mônica decidiu entrar para o ramo de reciclagem de materiais para ajudar a sustentar os 5 filhos.

No início, Mônica saia pelas ruas da cidade com o filho e a amiga, e na maioria das vezes não tinham hora para voltar. Na hora de receber no final do mês, ganhava cerca de cem reais por não ter um local apropriado para armazenar uma quantidade maior de materiais.

Esta realidade começou a mudar quando passou a trabalhar no programa de inclusão dos catadores de materiais de Diadema, o ‘Vida Limpa’. No começo se mostrou arredia com as propostas apresentadas pelo projeto. “Eu achava que alguém pudesse me roubar, tomar vantagem ou então se aproveitar da situação, porque parecia ser bom demais para ser verdade”, disse Mônica.

Mônica garante melhores condições de vida para sua família por meio da reciclagem 

Porém, com o tempo, a desconfiança do início se transformou em um meio de engajamento. Mônica aprendeu como funcionava toda a administração do posto de coleta e sobre o processo de venda dos materiais. A partir daí, descobriu a sua vocação para a liderança e começou a tomar a frente das situações. “Após seis meses atuando no Vida Limpa, fui eleita pelo grupo como coordenadora do posto da Vila Popular. Depois disso, a minha vida mudou da água para o vinho!”.

Além disso, a timidez que a catadora sentia ao falar com as outras pessoas foi colocada à prova quando realizou uma palestra sobre o ‘Vida Limpa’ para mais de 100 pessoas no Rio de Janeiro. “Já fizemos palestras em Minas Gerias, Paraná, África e agora estamos indo para Maceió. Hoje posso dizer que eu tenho capacidade de falar de igual para igual com qualquer pessoa”.

Bem diferente das condições anteriores, Mônica trabalha de segunda à sexta, com uma carga horária de seis horas e fatura quase cinco vezes mais do que antes- todos os catadores do projeto recebem R$ 42,00 por tonelada de material retirado das ruas. Diadema é o primeiro município a remunerar os catadores pela coleta.

Com o novo salário conseguiu adquirir uma televisão nova, aparelo de DVD, guarda roupa, fogão, máquina de lavar roupa e trocar a casa de três cômodos por um futuro apartamento de três quartos e demais dependências. “Hoje eu posso me dedicar a minha família e oferecer uma condição melhor para os meus filhos”, disse.

Diademenses envolvidos com as questões do meio ambiente

Moradores também podem entregar os materiais nos postos de coleta seletiva da cidade

Mas as melhorias não partem somente dos catadores. Os habitantes do bairro Vila Nogueira, local onde está instalado um dos postos do Vida Limpa, se preocupam com o destino do lixo produzido na região.

“Hoje a população está bem mais conscientizada. Desde a chegada do Vida limpa, as pessoas pedem para a gente passar todas as semanas para coletar o material separado por eles” afirmou Mônica.

Este é o caso de Marcelo Almeida dos Santos, 35 anos, que separa garrafas pet e papelão para os catadores que passam na sua residência todas as semanas. “Ajudando a colocar os materiais que seriam jogados na rua nas mãos desses catadores, eu e a minha família estamos contribuindo para a limpeza da nossa cidade e com o meio ambiente”

O comerciante Antônio Teodoro Sobrinho, 49 anos, compartilha da mesma opinião. “Nossa região melhorou muito após a chegada do programa. Acho que é um projeto importante, pois está ajudando não só a nossa cidade, mas também contribuindo para a melhora do nosso planeta“.

Histórico do programa Vida Limpa

O Programa de Coleta Seletiva “Vida Limpa” foi implantado em 2002 e integra a Política de Gerenciamento Sustentável dos Resíduos Sólidos de Diadema. O programa diminui o impacto ambiental causado pela destinação incorreta do lixo, reduz os custos com a deposição inadequada destes resíduos e serve como ferramenta de incentivo à economia solidária e inclusão social dos catadores.

Hoje o Vida limpa conta com seis postos de coleta além dos pontos de entrega voluntária localizados em equipamentos públicos. A entrega de materiais é feita de duas maneiras: diretamente no posto pela população ou pelo serviço porta-a-porta, em que o catador retira o material nas casas.

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